Impressões de uma paulistana sobre São Paulo

Pode parecer frase feita (e talvez seja mesmo… – ! – ) mas que o olhar estrangeiro renova o olhar do habitante, isso lá é bem verdade.
São Paulo é urbe por excelência. A gente corre, a gente ganha dinheiro, a gente encara o trem lotado, a gente odeia mas não sai daqui. A gente vive a (su) realidade desses dias que fazem todas as estações do ano em um só período de motel – aquele de 4 horas. A gente é capaz de caminhar por cima de outras pessoas – literalmente falando. Os especuladores se fartam com contratos ilícitos e indenizações risíveis. Os empreiteiros se divertem na quadrilha do: “Olha a auditoria! É mentira!”. As fronteiras no centrão expandido não são invisíveis. Av. Tiradentes, rua da Cantereira, esquina da Dino Bueno com a Glete, linha do trem, tudo demarcado. A rua está dominada. Espaço controlado e disputado. O território dos travestis na rua Rego Freitas vai da Consolação até a esquina com a Santa Isabel. O último quarteirão antes de chegar na parte de baixo do Largo do Arouche, é reservado aos garotos de programa. E assim vai a coisa. Onde um guarda carro de dia é ponto de venda de crack a tarde e vira ponto de prostituição a noite. O que pode salvar a urbe? Há de se perguntar antes: A urbe quer ser salva? A urbe deve ser salva de quê? Ou melhor, de quem? Andando por suas veias (abertas como diria o historiador) a gente vê de tudo, sente que tem um mundo de coisas a transformar e, sonhando virar estrela que nem Macunaíma, consegue sorrir quando pensa num bando de artistas que re-inventam essa urbe maluca.

Márcia Bernardes

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