Coloco aqui um pequeno texto, escrito durante a primeira noite do seminário.
Na primeira fala do Seminário, o professor e investigador Rogério da Costa fez uma fala que tocou em dois pontos: a filosofia de Spinoza sobre uma ética da relação e as potencialidades dos encontros, e algumas experiências nas quais houve uma trama de projetos para estabelecer possíveis espaços para troca de saberes.
Os temas são amplos e Rogério fez alguns apontamentos. Sobre Spinoza colocou como este autor concebe as relações humanas e como é importante o encontro com o outro, para pensar, imaginar, construir um coletivo maior. Nesta relação entre o ‘eu’ e o ‘outro’, André falou de potencia ampliada, quando há uma identificação no encontro, e potencia diminuída, quando há o encontro com algo diferente pelo despêndio de energia que é exigida de um ente. Talvez eu não tenha entendido direito, pois fiquei me perguntando: como fica o encontro com o diferente e os conflitos que se sucedem neste encontro? A tendência de ficar entre iguais é uma posição de inércia, que tende a uma estabilidade morta.
Rogério fez a ponte com sua experiência prática, usando o conceito de transversalidade, de Felix Guattari, que aponta para a possibilidade de criação de um espaço mais horizontal no estabelecimento das relações. Faço um paralelo com a capacidade de mediação neste tipo de espaço diferenciado. Nos exemplos mencionados, comunidades de catadores de lixo e hospital Butantã, ele colocou sobre a importância do acolhimento. A impossibilidade da comunicação entre paciente e médico, gerou a proposta de criar grupos de discussão para: construir “linguagem”, formar um grupo de acolhimento, que se ajuda e esclarece, mas que estabelece uma inteligência coletiva. São mini-coletivos com áreas de interesse, mas que começam a tecer outras possibilidades de troca de conhecimentos.
A velha pergunta do campo da arte pública (como construir um espaço de troca de conhecimento? ) acaba sendo levada para outros campos e fornecendo respostas diferenciadas de volta à arte. Vamos ver como articulamos estas discussões na nossa prática da oficina entre Santo Amaro e Bom Retiro.
Marcelo Wasem (amiantus.wordpress.com)
Participante do iD.Bairro SP.01
